via Karina Fiorito
Há álbuns que nascem de planos milimetricamente calculados, e há outros que brotam da urgência da vida, da cura e da transbordante necessidade de colocar para fora o que estava engasgado. É exatamente assim que surge “Fome”, o primeiro álbum completo da carreira de Rovilari, lançado de forma totalmente independente pelo selo AR Records.
Com produção musical, mixagem e masterização assinadas por Anderson Rocha, o projeto ganha corpo com uma sonoridade rica e plural. Embora traga uma pegada marcante de rock, pop e soul como pilares centrais, o disco passeia livremente por uma verdadeira encruzilhada de referências musicais que formam a bagagem de toda uma vida: há ecos da grande MPB (de Chico Buarque a Djavan, Cássia Eller, Ana Carolina, Marisa Monte, Betânia e Gal), do rock nacional e internacional (Legião Urbana, Nirvana, AC/DC), da energia dos anos 90 (do pagode de Raça Negra, SPC e Art Popular ao axé de Ivete e Daniela Mercury), além de passagens por samba, bossa nova, funk/soul e rap.
O projeto autoral nunca havia sido um plano na vida de Rovilari. Formada desde cedo pelo Conservatório Estadual de Música Dr. José Zócolli de Andrade e graduada em Violão pela UFU, sua vida sempre esteve nos palcos da noite de Ribeirão Preto e região, além das salas de aula. Compor nunca foi uma prioridade ou um sonho de fama; as músicas simplesmente iam acontecendo como páginas de um diário pessoal ao longo dos anos.
Tudo mudou após o fim de um relacionamento de dez anos. Naquele momento de reencontro consigo mesma, a veia criativa explodiu, trazendo novas composições e a vontade de eternizar essa jornada. A ideia inicial era gravar algo simples, apenas voz, violão e cajon, mas o produtor Anderson Rocha cravou: “Não, Rô, é o trabalho da sua vida, vamos fazer completo com a banda toda.” E assim nasceu o álbum no estúdio em fevereiro de 2026.
As Histórias por Trás das Faixas
As dez faixas de “Fome” funcionam como um mosaico afetivo, costurando memórias desde os anos 2000 até 2026:
“Fome” e “Nosso Tempo”: As letras nasceram de poemas escritos por sua primeira namorada, que Rovilari acabou musicando, as primeiras composições de sua vida. Ambas contam com parceria na criação.
“Dezembro”: Composta em 2004, carrega o peso e o sentimento do exato momento em que elas terminaram pela primeira namorada.
“Seu Destino” e “Ah Deixa pra lá”: Retratam os ciclos, términos e idas e vindas com sua segunda namorada.
“Impossível”: Composta em 2023, celebra e conta a história de como conheceu sua esposa da época.
“Reencontros e Desencontros”: Fruto da explosão criativa após sua separação no final de 2025, narra com bom humor um primeiro date pós-divórcio em que se empolgou tanto que acabou levando um clássico ghosting. A letra menciona carinhosamente o apelido “Robers”, resgatando memórias divertidas de amigos gerentes e confraternizações do Banco do Brasil.
“Estar Só”: Surgida logo após uma sessão de terapia, a música aborda com lucidez a solitude, a carência humana e como o medo da solidão muitas vezes nos empurra para qualquer relação.
“Vamos Viver”: Com letra de uma amiga e música de Rovilari, traz uma mensagem forte e necessária sobre diversidade, relações não monogâmicas e a beleza de viver fora dos padrões impostos.
“Infinito e Além”: Resgata o romance com uma antiga namorada pré-casamento, eternizando em acordes o início daquela relação.
“Fome” é, acima de tudo, a prova viva de que a música encontra seu tempo certo para florescer.
Ouça agora o álbum “Fome”: https://open.spotify.com/intl-pt/album/04PoZ3tcait8VN2hpafi6H
Assista o videoclipe da música “Fome”: https://www.youtube.com/watch?v=5Mw1kC53JLw
Acompanhe a artista no instagram e fique por dentro de todas as novidades: https://www.instagram.com/rovilari/







