Lasombra: Ópera Rock transmídia brasileira cria um ecossistema gótico que integra diversas linguagens artísticas e tem participação de Daniel Rocha

Lasombra: Ópera Rock transmídia brasileira cria um ecossistema gótico que integra diversas linguagens artísticas e tem participação de Daniel Rocha

Via Assessoria.indie

E se uma história não começasse em um livro, em uma tela ou em uma música, mas surgisse simultaneamente em diferentes linguagens, fazendo com que o público precisasse atravessar cada uma delas para compreender o todo? Essa é a proposta de Lasombra, Ópera Rock transmídia brasileira que constrói um universo próprio a partir da integração entre música, cinema, videoclipes, histórias em quadrinhos, performance e narrativa nas redes sociais. Mais do que conteúdos derivados de uma mesma obra, cada formato assume uma função dentro da trama e revela uma parte diferente de seu mistério. O ator Daniel Rocha (Avenida Brasil, Amor à Vida, Império, Totalmente Demais e A Lei do Amor), atua como um investigador no terceiro curta-metragem e no primeiro clipe da trama. Acompanhe aqui. 

No centro desse universo está Rafael Dewein, um espírito que há anos procura uma maneira de estabelecer contato com o mundo dos vivos. Suas primeiras manifestações acontecem por meio de interferências em aparelhos eletrônicos — rádios, televisões, celulares e outros dispositivos — até que Rafael percebe que determinadas frequências sonoras conseguem atravessar o véu que separa os dois mundos. É quando encontra na música a forma mais potente de transformar som em mensagem e, dessa tentativa de comunicação, nasce a Ópera Rock Lasombra. 

A própria maneira como o projeto chega ao público faz parte da ficção. Antes de apresentar todas as respostas, Lasombra começa a espalhar pistas: Rafael tenta estabelecer contato pelo Instagram, enquanto três curtas-metragens acompanham suas manifestações no presente e introduzem acontecimentos que parecem desafiar a lógica do mundo dos vivos. Na sequência, a música passa a ocupar o centro da experiência com “Hierarquia”, primeiro single e videoclipe do projeto, que expande o enredo e apresenta visualmente personagens desse universo. 

“Lasombra nunca foi pensada como uma banda com conteúdos ao redor dela. A história é a obra. A música é uma parte dessa história, assim como os curtas, os videoclipes, as HQs e as redes sociais. Cada linguagem revela algo que a outra não revela. O público pode chegar por qualquer uma dessas portas e, aos poucos, perceber que existe um universo muito maior por trás de tudo. O que mais me interessa é justamente essa sensação de descoberta, de encontrar uma pista em uma música, outra em um filme, outra em um quadrinho, e começar a montar esse quebra-cabeça”, explica Josué Flach, idealizador de Lasombra.

A narrativa, porém, não segue necessariamente uma ordem cronológica. Enquanto curtas-metragens, músicas, videoclipes e redes sociais acompanham Rafael no presente, já como espírito, as HQs transportam o público ao passado, quando ele ainda estava vivo. É nos quadrinhos que começam a surgir suas memórias, sua relação com o irmão Gabriel Dewein, com Padre Cícero e com Eric, o coveiro, além dos acontecimentos ocorridos na misteriosa cidade de Lasombra que transformaram definitivamente sua trajetória. Os quatro personagens formam, dentro da própria mitologia do projeto, a banda da Ópera Rock. 

A pergunta que atravessa todas essas linguagens é aparentemente simples: por que Rafael quer voltar? A resposta não está concentrada em uma única obra. Ela é fragmentada entre canções, imagens, diálogos, interferências, quadrinhos, filmes e manifestações digitais, convidando o público a conectar informações e montar progressivamente o quebra-cabeça de Lasombra.

Uma história que não apenas passa pelas plataformas, mas acontece dentro delas: é esta uma das principais particularidades de Lasombra. As diferentes mídias não funcionam apenas como ferramentas de divulgação da música. Elas fazem parte da própria obra. Um curta não existe simplesmente para promover uma canção, assim como uma HQ não funciona como ilustração do disco: cada linguagem acrescenta acontecimentos, perspectivas e informações próprias à narrativa.

Essa construção aproxima Lasombra da lógica dos universos narrativos e dos jogos de RPG, nos quais o público conhece um mundo aos poucos, encontra personagens, reconhece símbolos e percebe conexões antes invisíveis. Em vez de entregar uma história fechada, o projeto propõe uma experiência de descoberta em que diferentes portas de entrada podem conduzir ao mesmo universo — alguém pode chegar pela música, pelo cinema, pelos quadrinhos ou pelas redes sociais e, a partir daí, perceber que existe uma trama muito maior a ser explorada.

A ideia de Ópera Rock também parte desse princípio. Se historicamente a ópera reúne diferentes recursos artísticos para colocar o espectador dentro de uma narrativa, Lasombra transporta essa lógica para a cultura contemporânea: a música permanece como eixo fundamental, mas divide a construção do universo com audiovisual, quadrinhos, performance e ambientes digitais.

Rock pesado, identidade brasileira e um universo gótico próprio

Musicalmente, Lasombra nasceu há cerca de duas décadas, em um período fortemente marcado pelo Nu Metal, mas nunca foi concebida para permanecer dentro de uma única vertente. O repertório atravessa diferentes referências do metal e de outros gêneros, preservando o peso como elemento importante sem transformá-lo em uma limitação estética. Em “Hierarquia”, por exemplo, o riff principal apresenta uma cadência que se aproxima do baião, sinalizando uma busca por identidade própria dentro da sonoridade pesada.

Essa mistura também aparece na construção visual. O universo gótico, o horror, o imaginário sobrenatural e a atmosfera dark convivem com referências brasileiras inseridas nos personagens, figurinos e símbolos da obra. Elementos aparentemente ornamentais podem carregar significados dentro da história e ganhar novas interpretações conforme outros capítulos são apresentados.

Em “Hierarquia”, essa proposta começa a ganhar forma audiovisual. O primeiro single funciona como uma porta de entrada para a sonoridade e para a estética do projeto, mas não estabelece uma fórmula para o restante da obra. Lasombra já conta com outras dez faixas em pré-produção, previstas para serem apresentadas progressivamente à medida que a narrativa se desenvolve.

Uma ideia de duas décadas que encontra novas formas de existir

Embora sua dimensão transmídia seja contemporânea, a origem de Lasombra antecede em cerca de vinte anos o projeto atual. A obra nasceu ainda na juventude de seu idealizador, Josué Flach, diretor, autor e compositor, e chegou aos palcos em uma primeira versão em 2005, em Montenegro, no Rio Grande do Sul. Duas décadas depois, o retorno não foi pensado como uma reconstrução nostálgica daquele trabalho, mas como a oportunidade de desenvolver plenamente um universo que, à época, ainda não dispunha das mesmas possibilidades técnicas, audiovisuais e digitais de hoje.

A passagem do tempo acabou incorporada à própria identidade da obra. As músicas preservam traços do contexto em que foram concebidas, enquanto cinema, quadrinhos, linguagem digital, direção de arte e novas possibilidades de interação permitem que a narrativa alcance uma escala diferente. A retomada, portanto, não busca simplesmente recuperar um projeto interrompido, mas transformá-lo em algo maior.

É desse encontro entre passado e presente que surge o atual ecossistema de Lasombra: a banda é formada pelos personagens da trama; as músicas também são mensagens de um espírito; videoclipes e curtas que funcionam como capítulos; quadrinhos que reconstroem memórias; e redes sociais que deixam de existir apenas fora da ficção para se tornarem parte dela.

Em vez de explicar seu universo de uma só vez, Lasombra escolhe revelar-se aos poucos. Cada lançamento acrescenta uma peça; cada linguagem oferece um ponto de vista; cada personagem pode esconder uma nova conexão. E, à medida que Rafael Dewein insiste em atravessar a fronteira entre os mortos e os vivos, o público é convidado a fazer o caminho contrário: entrar em Lasombra e descobrir o que aconteceu ali — e, principalmente, por que algumas histórias se recusam a permanecer enterradas.